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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Gol da Alemanha! - Uma goleada que ainda não serviu de lição

De certa forma, o futebol brasileiro como conhecíamos morreu no gramado do Mineirão na noite de 8 de julho de 2014. A noite em que a seleção brasileira não só viu o sonho de conquistar sua sexta Copa do Mundo virar pesadelo, mas em que sofreu uma goleada de 7 a 1, o pior resultado em 100 anos de história da equipe.

Pouco antes da copa do mundo, o meia Gilberto Silva, integrante da seleção brasileira campeã mundial em 2002, chegou a dizer que "a história de sucesso da seleção brasileira é uma desculpa perfeita para que não haja mudanças na estrutura do futebol. Enquanto nos escondermos atrás de nossos títulos mundiais em vez de pensar para frente, o futebol brasileiro vai estar em perigo". 

É bastante possível que o Brasil nunca mais amargue um placar tão contundente. Mas poucas derrotas da seleção tiveram tanta influência de fatores extra-campo com o "Sete a Um". Consulte as reações da mídia brasileira e mesmo de torcedores nas mídias sociais e muito mais se falou na necessidade de mudanças na gestão do esporte do que em alguma "crucificação" coletiva dos jogadores.

Quase seis meses depois daquela partida, porém, nenhuma tentativa de transformação pode ser notada.

O "novo" técnico da seleção é o mesmo Dunga que saiu do cargo pela porta dos fundos em 2010 - o Brasil, por sinal, é um país recordista em recontratações entre as grandes "escolas" do futebol, com 13 dos 41 treinadores da história da seleção ocupando o cargo mais de uma vez.

Com um faturamento de R$ 436,5 milhões em 2013, a Confederação Brasileira de Futebol segue exercendo uma influência maciça sobre os clubes, numa situação inversa ao que acontece na Europa. O "Sete a Um" não resultou na fuga de patrocinadores e o próximo balanço da entidade vai fatalmente mostrar contas carregadas no azul.

Fortes ligações com um número considerável de deputados e senadores dão à CBF capacidade de bloquear esforços do legislativo brasileiro por mudanças ou mesmo investigações.

O mais significativo pronunciamento da entidade sobre o "Sete a Um" foi tentar marcar um amistoso contra a seleção alemã, estranhamente chamado de revanche contra os atuais campeões mundiais. Apesar do aumento de público, o Campeonato Brasileiro está longe de ser um dos mais populares do mundo e perde até para a Segunda Divisão inglesa

Nenhuma proposta de reformulação da formação de jogadores ou do uso de parte dos recursos para o fortalecimento dos clubes e das estruturas de desenvolvimento de atletas, bem como programas de atualização de treinadores.

Nunca é demais lembrar que desde 2007 o futebol brasileiro não tem um representante sequer entre os três finalistas no prêmio de melhor jogador do mundo oferecido pela Fifa, a entidade máxima do futebol.

O Campeonato Brasileiro de 2014, disputado após a Copa do Mundo, pegou uma carona no "fator Copa" - novas arenas, interesse reforçado do público - e viu aumento na média de público. Mas a média de 16.555 pagantes por partida não está sequer entre as 10 maiores do planeta.

É menor que a da MLS, o campeonato dos EUA, e fica atrás até da Segunda Divisão da Inglaterra.

A maior média? É a Bundesliga, o campeonato nacional de um certo país que depois de uma vexaminosa eliminação de sua seleção na primeira fase do Campeonato Europeu de 2000 decidiu reorganizar o esporte e não se ateve apenas aos resultados mais diretos de partidas. E que em 2104 enfim colheu frutos.

Gol da Alemanha. Golaço.

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