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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"Natal em campo de prisioneiros na Coreia do Norte é apenas mais um dia de sofrimento grotesco"

Essa frase foi dita pelo especialista em assuntos relativos a Coreia do Norte, o britânico David Alton. Para ele, que também é militante dos Direitos Humanos, os direitos do cidadão coreano, inclusive o de crença e culto, são violados todos os dias.

Em 10 de dezembro, o Grupo Parlamentar britânico All - Partido para a Liberdade Internacional de Religião ou Crença - publicou um relatório dos resultados do inquérito por perseguição na Coreia do Norte. O grupo quer ganhar adesão dos demais países do mundo para que pressionem a Coreia do Norte, a fim de limitar e exterminar a opressão à liberdade religiosa.

O relatório, intitulado "Religião e Crença na República Popular Democrática da Coreia," descortina algumas práticas do governo norte-coreano que oprime sistematicamente a liberdade de religião e crença, e que continua atingindo os cristãos duramente, ao que o Grupo considera um crime contra a humanidade.

"Durante muitos anos, a Coreia do Norte tem sido vista como um país incomunicável e inegociável, mas agora a comunidade internacional está finalmente começando a dar ao país a atenção e visibilidade que seus cidadãos merecem e pedem desesperadamente", disse a baronesa Elizabeth Berridge, presidente do Grupo ALL.

Propagação de abusos

Em março de 2014, a Comissão de Inquérito sobre os Direitos Humanos na República Popular Democrática da Coreia apresentou o primeiro relatório à Comissão de Inquérito da ONU para os Direitos Humanos na República Popular Democrática da Coreia e para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. O relatório com 372 páginas destacou a propagação de abusos crônicos dos direitos humanos no país. Segundo o relatório, seguidores de várias religiões, entre elas o cristianismo, “são severamente punidos, muitos chegando à morte” e que “ a gravidade, escala e natureza dessas violações são tão severas que não existem paralelos no mundo contemporâneo.

Crimes contra a humanidade

A Comissão de Inquérito da ONU também considerou o tratamento da Coreia do Norte aos cristãos um crime contra a humanidade. Recomendando que o país seja submetido ao Tribunal Penal Internacional.

O relatório da ONU constatou que embora houvesse mudanças visíveis na política coreana para a religião entre as décadas de 70 e 90, elas não apontam para um abrandamento geral da pressão sobre os grupos religiosos. Pelo contrário, a Coreia do Norte continuou a perseguir ativamente grupos religiosos que funcionam fora das estruturas religiosas controladas pelo Estado extremamente limitadas.

Presos e executados por orar e ler a Bíblia
Aqueles que praticam uma religião na Coreia do Norte, fazem sabendo muito bem que podem ser presos. Aliás, eles são enviados às prisões coreanas apenas por orar antes das refeições e até executados por ler ou portar uma Bíblia. Em 2009, duas mulheres, Seo Keum Ok e Ryi Hyuk, foram executados por distribuir Bíblias. Elas foram acusadas de ter ligações com os EUA e Coreia do Sul e ainda de espionagem e por serem cristãs. Membros de três gerações de famílias dessas mulheres também foram presos e enviados para campos de prisioneiros, com base na lei norte-coreana que culpa três gerações de quem comete um crime.

Longe de ser um segredo, a perseguição religiosa na Coreia do Norte é amplamente conhecida. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Banco de Dados dos Direitos Humanos para os norte-coreanos, 99,7% dos refugiados entrevistados disse que não há liberdade religiosa. Daqueles que tinham experimentado, testemunhado ou perpetrada a perseguição religiosa, 45,5% eram protestantes, 0,2% são católicos, 1,3% budista, 1,7% não têm religião e 1,1% "outros" e as crenças de 50,3% eram desconhecidos. Portas Abertas

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