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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Muçulmanos condenam ataque ao jornal Charlie Hebdo

O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), instância representativa dos muçulmanos na França, qualificou de “ato bárbaro” o atentado ao jornal Charlie Hebdo, nesta quarta-feira (7), em Paris.

“Esse ato bárbaro, de extrema gravidade, é também um ataque à democracia e à liberdade de imprensa”, afirmou o conselho, que representa a primeira comunidade muçulmana da Europa – entre 3,5 milhões e 5 milhões de membros – que se expressou em nome dos “muçulmanos da França”.

O presidente do conselho, Dalil Boubakeur, também imã da Grande Mesquita de Paris, deverá ir ao local do ataque, disseram representantes da comunidade.

O atentado, praticado por três homens encapuzados e fortemente armados, provocou pelo menos 12 mortes, dizimando a redação do Charlie Hebdo. Stéphane Charbonnier, de 47 anos, conhecido como Charb e diretor da publicação, Jean Cabut, de 76 anos, Georges Wolinksi, de 80 anos, e Verlhac Bernard, de 58 anos, conhecido como Tignous, estão entre as vítimas do ataque.

Segundo testemunhas, na hora do ataque, os agressores gritaram “vingamos o profeta”. O Conselho Francês do Culto Muçulmano manifestou solidariedade às vítimas e suas famílias “face a um drama com dimensão nacional”.

“Num contexto político internacional de tensões, alimentado por delírios de grupos terroristas que se aproveitam injustamente do Islã, apelamos a todos os que estão associados aos valores da República e da democracia para que evitem as provocações, que apenas servem para jogar gasolina no fogo”, disse o conselho.

O CFCM apelou à comunidade muçulmana “para permanecer vigilante face às eventuais manipulações proveniente de grupos com objetivos extremistas, quaisquer que sejam”.

Em um comunicado distinto, a União das Organizações Islâmicas de França (Uoif), próxima da Irmandade Muçulmana, condenou “de forma firme" o "ataque criminoso" e as mortes horríveis”.

O grande rabino de França, Haim Korsia, referiu-se ao atentado como um “tempo de luto onde todos devem estar unidos”.

“Neste momento, precisamos de união nacional, de defender o conjunto das nossas liberdades, incluindo a liberdade de expressão”, destacou o chefe religioso da primeira comunidade judaica da Europa, que tem de 500 mil a 600 mil adeptos.

“De imediato, será necessária uma resposta forte do governo, porque, em uma sociedade democrática, é a força legítima que domina a violência”, afirmou o líder religioso. EBC

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