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sábado, 7 de maio de 2016

Mesmo sem o poder de antes, Eduardo Cunha quer manter influência no governo Temer

Antes de perder o poder de presidente da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tentou manter a influência no comando da Casa. Horas antes de ter sido obrigado a deixar o cargo, Cunha conseguiu eleger como presidente da mais importante comissão, a de Constituição e Justiça (CCJ), o seu amigo Osmar Serraglio (PMDB-PR). É a CCJ que vai analisar todos os recursos de Cunha contra um possível relatório, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que peça a sua cassação por ter mentido em depoimento à CPI da Petrobras sobre suas contas não declaradas no exterior. Mesmo sem a força de até dois dias atrás, o peemedebista, no entanto, já mantém as articulações nos bastidores, fazendo da residência oficial uma espécie de quartel general para reuniões e encontros a portas fechadas – privilégio que, aliás, soma-se a outros enquanto não tenha o mandato cassado, como remuneração e direito a voos em aviões da Força Aérea Brasileira.

Serraglio era o nome que Cunha pretendia lançar para sucedê-lo na Presidência da Câmara. Da ala conservadora do PMDB, o parlamentar paranaense é advogado e tem um bom trânsito na Casa entre vários partidos. Serraglio é tão amigo de Cunha que chegou a defender a sua absolvição no Conselho de Ética, para compensá-lo pela admissão do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com a queda de Cunha do cargo, Serraglio passou a ser o nome do PMDB para substituí-lo em nova eleição. Para isso, basta que Cunha renuncie ao posto e a presidência fique vaga.

No mesmo barco


Até deixar a Presidência da Câmara, Cunha estava negociando apoio para conseguir eleger outro amigo, o deputado Arthur Lira (PP-AL), para presidir a Comissão Mista de Orçamento. Lira já foi presidente da CCJ no ano passado por influência de Cunha. A indicação de Lira seria em nome do bloco parlamentar formado pelo PP, PSC e PTB.

O deputado alagoano está sob investigação da Polícia Federal na Operação Lava Jato e teve seus bens bloqueados por decisão do ministro Teori Zavascki, do STF, relator dos inquéritos referentes à operação. O deputado é suspeito de ter achacado o presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, para receber propina de R$ 1 milhão. O pai do deputado, o senador Benedito de Lira (PP-AL), também é investigado na Lava Jato e teve os bens bloqueados pelo STF.

Costas quentes

Com intimidade com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que está na iminência de assumir o comando do país se o impeachment da presidente Dilma for confirmado pelo Plenário do Senado, Cunha tentou escolher para a liderança do futuro governo na Câmara o amigo André Moura (PSC-SE). Assim como Arthur Lira, Moura também é investigado na Lava Jato pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Outro amigo que Cunha quer preservar e até colocar em posto importante é o deputado Mauricio Quintella (PR-AL). Cotado para ocupar o ministério dos Transportes no eventual governo Temer, Quintella só não conseguiu garantir o cargo na Esplanada dos Ministérios por ser de um partido médio e acumular desconfianças do grupo ligado ao vice-presidente.

Quintella foi condenado pela Justiça em 2014 pela participação em um esquema criminoso que desviou dinheiro da merenda escolar do seu estado, entre 2003 e 2005, quando era secretário de Educação. Em 2008 o deputado teve os bens bloqueados e, junto com seu grupo, foi obrigado a devolver R$ 133 milhões desviados da União, além de pagar multa de R$ 4,2 milhões.

Com a perda do cargo por decisão do STF e o risco real de perder o mandato com o possível pedido de cassação pelo Conselho de Ética, Cunha terá, agora, que cuidar do próprio destino. Como ele terá que ser julgado pelo Plenário da Câmara, na fase final do processo de cassação, o ex-presidente da Casa vai tentar, mesmo sem poder frequentar o Congresso, escapar de uma punição mais grave e manter o mandato com a ajuda dos amigos que estarão em postos-chave, e da bancada evangélica, que o apoia incondicionalmente. CongressoemFoco

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